Trecho do conto 'Agnes', do livro 'Noite: Somnia et Fabulae'

"Sob a agoniante intensidade da luz esmagadora do sol, sem ser erguido ou auxiliado, misteriosamente, o homem desconcertado e aflito subia à superfície das águas oceânicas trajando um escafandro que pesava sobre o seu corpo como um carrasco inimigo. Acreditava ter sido puxado por sua equipe de salvatagem quando se deparou com a insólita permissão do mar para que emergisse espontaneamente, solitário. Abria os olhos relutantes com dificuldade. Poucas coisas o aterrorizavam mais do que o sol e a sua imponência sufocante. Poucas coisas o afagavam mais do que o ocaso, quando o tirano se recolhe ao seu descanso. O fulgor dourado e resplandescente não poupava os frágeis, os bebês, os loucos, os solitários e os doentes, castigando-os impiedosamente e exigindo dos demais homens que pagassem o preço de sua luz em trabalhos, deslocamentos, confraternizações e toda a sorte de movimentos que ferem os seus olhos, ruídos que torturam os seus ouvidos, e aromas nauseantes da humanidade desperta. Nada lhe era tão aprazível e benéfico quanto a escuridão silente da noite, especialmente, quando a neblina densa e turva abraçava a plácida luz da lua, formando vultos e espectros sibilantes e dançantes. A dor da solidão pungente era, misericordiosamente, aplacada pela companhia dessas figuras bruxuleantes de uma exuberância..."


Deise Zandoná Flores

Trecho do conto In "Agnes" do livro

NOITE: SOMNIA ET FABULAE

360 págs.


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