Danças


DANÇAS


As chamas dançam

ao som de medos e inseguranças:

músicas inaudíveis

ecoando em cantos inacessíveis

da mente.


Quebrando o silêncio,

o crepitar das labaredas

emanam o perfume das ervas,

o farfalhar das folhas caídas

das árvores roçando a terra,

e as ondas quebrando ao longe

- e aqui perto -, no horizonte

que os passos alcançam

sem precisar de descanso imediato.


Em um banco feito de troncos,

um ponto de encontro com a dádiva...

... um encontro marcado, um pacto selado,

em um banco de areia

trazido à vista durante a maré seca.


Uma conversa com o vazio

que, às vezes, invade, enrijece a testa,

trava as sobrancelhas, desenhando

olhos congelados e inexpressivos.

O cansaço é deixado ao mar

em troca do revigor.


Não é preciso olhar

o céu para sentir as nuvens,

basta ouvir o latejar das têmporas...


Eu, que me pego absorta a olhar

o trabalho frenético em um formigueiro,

sinto uma vontade súbita

de me perder nos braços do oceano.


E, antes da maré-enchente,

cheia de oceano em minha mente

e calafrios de vento no corpo,

começo a chover em minha concha,

para deixar a areia seguir seu curso.

Tudo em mim tem o seu livre percurso...


Planto tesouros do mar na terra para cultivar ondas...

... resquícios de minhas brincadeiras de criança:

enterrar tesouros, deixá-los esquecidos,

até um dia lembrar de procurá-los.


Na terra reconfigurada,

sem saber onde os plantei,

novas descobertas...

E, depois do fogo e das ervas,

há uma flor que dança logo à minha frente.


Deise Zandoná Flores


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