Grumos


Flui o rio alegre e docemente da inefável cabeça do Deus, como um canto de origem e de nascente.

Nas agudas e refinadas vozes das ninfas, nas pinturas impressas previamente nas tintas, o tonitruante assina a sua obra-prima.

Escreve com raios pistas dos seus desígnios no coração silencioso dos homens pios.

"Por que Ele não... isso ou aquilo?" - grita o homenzinho de tinta no canto esquerdo da tela.

Nem vê tinta, nem vê tela, nem os outros homenzinhos, como ele, pincelados.

Mas qual pintor, depois de pronta sua obra, sob encomenda, põe-se a estragá-la com mil e um retoques, trazendo um mundo de entulhos a reboque - acúmulos e excessos de grumos?

É como se a tinta opinasse sobre a tela; a argila e a pedra, sobre a escultura; e a invenção, ociosa, parva e pretensiosa,

destronasse o criador. Esta foi a Queda!

E o pobre coágulo de tinta, não vendo nem a si nem a obra, julga péssimo o pintor de grumos.

Cego está de tão perto e, por isso, anda assim, tão distante, que nem atina a fitar, como outrora, o brilho dos olhos de Quem o pinta.

Não contempla refletida nas Pupilas Divinas a beleza criativa de todos os grumos compondo,

sem excessos nem acúmulos, a Sua mais perfeita obra.

21-12-2019

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