Livro Maior


Do Livro Maior, fui o livro de poesias perdido no fogo de Alexandria. No Livro Maior, sou o arqueólogo do espanto frente a versos desconhecidos. Estranheza na beleza de ser um outro, um novo, um pouco de conforto na tristeza. Leio poesias da distância. Tão distante sou de quem fui, que quis conhecer-me antes da lua minguante. Sou o depois e o antes. Sou um "e" e um "doravante". Já fui pauta para abrigar outros escritos, Fui linhas em branco, folhas sem pauta, anagramas de silêncio, um fixo e intenso pensamento a criar fantasmas, que fossem mais que as aspas na minha citação: uma ilusão persecutória a preencher meu mundo transbordante de nadas. Já fui um som rebuscado de difícil interpretação, um mundo de exclamações e reticências... No que restou de uma pueril inocência, sou o perdão ao meu próprio deboche, um ponto transtornado a encerrar o texto, o pacote completo de virtudes almejadas e vícios a tiracolo. Alimento o monstro para que não me perturbe e não me faça turba a obstruir outras estradas. Sou uma alma-arma sempre engatilhada. Sou os cartuchos de balas que não disparei. Corro com os pincéis para alcançar as lágrimas, quando o não-dito, o não-sabido, por mim, fala. Sou o surdo que tudo ouve, e o cego que tudo vê. Sou Argos a esperar pelo assassino. Sou aquele que conhece o seu destino. Sou o muro e o abraço. Sou um laço, um elo, um túmulo. Sonho tornar-me uma nota de rodapé, ao leitor, quase esquecida, ardendo nas chamas de Alexandria, mas ainda citada no Livro Maior. Deise Zandoná Flores 02-10-2019 

#poesia

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