Campo Minado


Esta é a primeira vez que eu me envolvo mais ativamente no debate político. Minhas análises costumam ser bem mais distanciadas. No entanto, já faz alguns anos que vejo se delinear no BR uma perspectiva sombria. Só que ela caminha a passos bem mais largos do que eu imaginava...

Eu fui pega de surpresa com o boicote e perseguição universitários por motivos político-ideológicos. Não me via no cerne destas questões, pois meus estudos de concentravam na intelectualidade greco-romana do séc. I d.C. Santa Inocência!

O engraçado é que há 15 anos eu achava, do alto da minha ignorância, um tanto exageradas e estapafúrdias algumas análises do Olavo de Carvalho sobre a intelectualidade brasileira. Nem estudei o velho. Era mais uma que achava que era muito desbocado e não entendia o porquê.

Não li seus livros, nem fiz seus cursos.

Há cerca de dois anos, depois de voltar escrever alguns textos opinativos bastante informais de cunho político, começaram a aparecer comentários do tipo: "Deise, teu texto me lembra um que o Olavo escreveu..."

Olavo? Como assim Olavo? - pensei.

E deixei pra lá. No entanto, a cada texto, alguém me citava uma coisa ou outra do velho. Fui começando a ficar curiosa porque, mesmo com todas as enormes diferenças de cunho religioso entre outras, haviam algumas proximidades muito grandes de opinião em relação ao contexto intelectual e político atual. Detalhe: Eu não tenho o arcabouço do Olavo - nem de longe! Ainda não tive oportunidade de ler nenhum livro dele nem fazer curso. Só acompanho textos aqui e ali.

Estapafúrdia era a minha ignorância. Acho que se eu não tivesse sido mais uma pessoa hipersensível ao vocabulário e ao temperamento forte, isto é, se eu tivesse sido um pouquinho menos refratária, talvez tivesse conseguido compreender o contexto gramsciano altamente danoso e nocivo à produção de conhecimento, dentro da universidade e, quem sabe, tivesse sabido como lidar com tudo o que acontecia comigo, antes de chegar ao ponto de chutar o balde e abandonar o meu doutorado - uma das maiores perdas da minha vida.

E, antes que alguém me diga "citou Gramsci, é Olavete", aviso que ainda em 2006, dentro da universidade, um certo professor escarneceu de mim dizendo "Deise, lê Gramsci, sua idiota".

Gramsci já era aplicado sem ser ensinado. Na época, eu não vislumbrava isso, pois não tinha a visão do conjunto.

Quando comecei a acompanhar as postagens do Olavo e os vídeos do Pondé, encontrei as peças que faltavam naquele intrincado e devastador quebra-cabeças.

Eu vi, na prática em primeiro lugar, coisas que, se tivesse visto somente na teoria, jamais teria acreditado. Saí à cata de informações, textos, conversei com pessoas do Brasil inteiro, fiz diversas pesquisas e comecei a ficar atenta ao cenário intelectual político e acadêmico.

O estrago ideológico foi tão grande e tão devastador, especialmente, nos últimos anos e pela via da educação, em escolas e universidades, que não estou nem um pouco otimista com relação ao futuro.

Se tem uma coisa que eu aprendi fazer foi separar a retórica da prática política, a filosofia da ideologia. Modéstia à parte, algumas de minhas previsões vêm se mostrando acertadas. Tenho guardado estas previsões para mim porque, a menos que tenha uma argumentação muito bem embasada, não gosto de jogar "impressões ao vento".

Por que participar mais ativamente do debate político sem ser otimista? Boicotaram a minha carreira, mas não apagaram a minha voz. Se eu tenho algo a acrescentar ao debate público, acrescentarei. E justamente, porque não aceito que os "censores de plantão" alinhados ao "establishment" tirem o que ainda tenho: a minha voz.

É isso o que estão fazendo na imprensa, nas universidades, nas escolas. E TODA A CENSURA DE OPINIÃO ANTECEDE À ELIMINAÇÃO FÍSICA DO "ADVERSÁRIO", DO INTERLOCUTOR. Aconteceu na URSS, na Alemanha, na Venezuela... E está acontecendo aqui.

Enquanto o pessoal fica discutindo se nazismo é de esquerda ou de direita, eu vejo que a histeria e as agressões absolutamente covardes, grupos encurralando e agredindo, nas universidades, qualquer um que pense diferente... Quando eu vejo a desumanização constante do outro... tudo isso aconteceu na Alemanha nazista, na época da propaganda contra os judeus, antes da criação dos guetos, antes dos campos de concentração, antes da solução final. As atitudes das pessoas eram iguais às que vemos dos estudantes e militantes políticos de hoje.

Saudações!

**** Deise Zandoná Flores

#depoimento #crônica #opinião #debatepolítico #Olavo #Pondé #sabotagem #intelectual #academicismo #gramsci #revoluçãocultural

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