Mangue


MANGUE Remei pântanos atrás de água limpa. Herdei mangues vivos às custas de meu sangue. Surfei dunas até morrer afogada na areia d'uma. Queria apenas limpar meu nome das marcas torpes dos meus fracassos premeditados. Tantos suicídios postos lado-a-lado para descobrir não um inferno quente e sim o mais de um mesmo congelado. E os pântanos remados ora são histórias a serem abandonadas e esquecidas nos barracos das memórias empoeiradas dos álbuns de fotografias. Rasguei algumas, outras queimei: as que faço questão de perder ou esquecer. Caí e descobri o meu lugar entre os que se afogam para não mais subir à superfície e assim, ficar com os peixes e outras espécies, perdida de mim. Encontro o meu posto aqui, posto que não busco mais o fim de uma história escrita com as tintas do meu sangue. Afinal, dele vive todo um ecossistema nomeado mangue. Por acidente, acaso ou divino, tive outra chance. "Foi com muita sede ao pote." - ouvi sem ouvir - do mais significativo dos meus insucessos E, de todos os meus inúmeros fracassos - uns incidentais, outros premeditados -, este, hoje aquele, é o que eu mais celebro. Deise Zandoná Flores

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