Tigres e Soldados


Pode o tigre abocanhar para salvar? Pode a vida terminar para começar?

Emoções nocivas como espadas, como escudos... ... podem ser mais que muros, podem ser asas?

Eu não entendo...

O tempo já não é mais o mesmo. O tempo já não é mais tão ingênuo.

Ensino o vento a balançar meus cabelos. Durmo no colchão de minhas agonias, aquecida pelo cobertor de minhas decepções.

Posso ser terra que tudo nutre, que tudo gera, em venenos que voluntariamente bebo? Por que bebo?

Gesto confissões como heresias. Gesto facas e adagas de poesias. Gesto punhaladas, gesto cortesias. Gesto sofrimentos, gesto movimentos.

Não são poucas as tristezas, nem são poucas as aporias. Não são poucas as loucuras, nem são poucas as profecias.

Mostro menos do que sei hoje, para saber mais amanhã do que sabia ontem.

Prescindo de todas as curas. Abdico do conforto de um lugar de brandura. Eu não abrando nada para o meu repouso. E não dou repouso à minha candura. Trago o legado da força deixada por cada desgosto.

Carrego o pesado trono da ignorância, para ter um sítio onde recobrar as forças depois do soco de cada novo aprendizado.

Peço ao soldado que vá na frente, e lance o trono da verdade um pouco mais distante. Estou cansada, mas a caminhada nunca é o bastante. Não estou saciada ainda. E a fome de outras estradas nunca finda.

A musa segue no seu próprio passo e eu persigo suas pegadas, mesmo que não a alcance, mesmo que veja apenas os cachos dos seus cabelos derramados por sobre as suas costas.

Quanto mais conheço a paz, tanto mais respeito a guerra... ... e todo o sangue derramado para que as crianças possam brincar de se sujar na terra.

Ímpios lançam inocentes ao mar. E eu nunca vi viv'alma vencer o mal com flores.

Pois que toda a palavra é inútil, quando, do corpo vivo, já se subtraiu o humano. E milhares de palavras são inúteis, quando o último banho do filho é o rio de lágrimas de sua mãe.

E então, ao final, eu vejo que mesmo os tigres abocanham para salvar os que se lançam,

ignorando as lanças, no fundo do abismo.

E os mortos nunca se cansam de tagarelar... Quem ainda os ouve? Quem um dia ouviu?

Ainda tentamos à ufa fazê-los calar, enquanto somos nós que tanto mais os condenamos ao esquecimento, quanto mais necessitamos das histórias que eles têm para nos contar.

Não buscamos mais nem o tardio repouso no trono da sabedoria. Abdicamos! E nos entregamos à cômoda insensatez. Estamos inertes, estagnados, orgulhosos e saciados em renomear, em troca de algum renome, por um belo e insípido novo nome o trono torpe da estupidez.

Deise Zandoná Flores

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