Rasgo


É o primeiro passo na ponte, é o último salto de fé, é um adeus ao ontem, é uma trilha à pé. Encontrou a si mesma criança, - tirânico ser ferido e frustrado -, pensamentos obnubliados, pobre esperança, sofrendo uma raiva oceânica represada. Um afago, um colo... E decepou-lhe a cabeça. Tomou-lhe a adaga vetada à infante e seguiu sem pressa. Do ser cativo da fenda no tempo, herdou certa inocência, brincadeiras empoeiradas e o mal ingênuo de Narciso. Caminhou leve, mesmo sem asas, sem cordas para sustentar-lhe o peso, sem água para afogar-se, sem nada. Ainda pode encontrar a menina, desta feita, em sonhos, enredos, fantasias, em poesias rabiscadas num papel. A refletida apaixonada descobriu o seu lugar no céu, não é mais presa esquecida, abandonada à realidade fria e cruel. É um assassinato, é um rasgo, é um batismo de fogo com gosto de fel. É o respeito à necessidade inexorável, mãe terrível de todas as coisas: sementes e (re)invenções. É a alquimia de um brilho triste - ou isso ou nem tanto -, inenarrável sim e, por certo, não-valorável, que ao fim do verdejante prado traz a flor perfumada de uma redenção em algumas pouco apaziguadas emoções. Deise Zandoná Flores

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