A Bancarrota da Rima


Nada rima com nada. Eu arremedo flores na próxima parada. Eu arremesso dias durante a madrugada. De pés descalços, na beira da estrada, símbolos abandonados em cima da calçada... Nada rima com nada. Do tecido de linho, sou remendo. Da coroa de espinhos, sou o coágulo do sangue não jorrado, que já cicatriza. Das preces vazias, resta só o teatro. Do sangue que não correu, o vinho não foi consagrado. Sem vício, não há virtude. Sem salvação, não há pecado: só uma corda bamba, em que tremem os adultos e brincam as crianças... ... por serem boas, livres de maldade? Por serem verdades, filhas da pureza. E o que é a verdade senão a beleza? É o ardil, talvez a destreza de ser retrato da sua condição e andar rente à natureza. Boa ou má? Apenas castiça. Sem máscara ou persona, sanguínea, límpida e translúcida, oscilando carne e sangue, luz e sombra, sem uma balança, somente o instinto. E o instinto é impermisto? É, por vezes, vício; por outras, virtude. É, por vezes, morto; por outras, saúde. É onde tremem os adultos e brincam as crianças. É o ser em si mesmo: uma corda bamba. Nada rima com nada. Nada combina com nada. Resta-me um ser perdido, o sonho indistinto e nebuloso da temperança. A bancarrota da rima... As crianças disparam na névoa para desespero dos pais. Estes temem a névoa, erram passos na grande dança e dançam soltos nas grandes guerras.

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