O Despertar da Terra


Há algum tempo, a Terra acordou em mim, em descompasso. Visava ela despertar o Fogo, que se extinguia, a largos passos. Não sei qual foi o gatilho, nem ruído, nem estampido. Não ouvi sinais... Há tempos, criatura marinha, vivia eu nos domínios dos Silfos. E toda a Água, que em mim corria, evaporava. E o Fogo queimava o Ar, que apagava o Fogo. E, quando a lágrima, por fim, secou, ausente de mim, fiquei árida. Padeci de frio... O deserto, previsto certo, chegou mais célere do que o previsto. Dei vistas ao desconhecido. Mergulhei em sono profundo: sonhos de cálida, pesadelos de submundo. Invadida fui pelo mundo. Gélido desterro, gelo, gritos mudos... Desnudo... O Fogo, surdo, não atende. O Corpo assume o reinado sobre a mente, apaga a bagagem, devora o raciocínio, regride mil etapas da viagem. A Terra, a morte anseia ou a saúde: "Pois que vá ao ataúde reclamar virtudes!" - - a Terra me grita, em inferno contínuo. Grita, a quase me estourar os tímpanos. (Carpi o Sagrado, pelo árido, falido.) Enquanto a Fenda do Tempo me engole, onde está a prole que pari dos Silfos? Infeliz sorte... A Água inunda, à Terra árida, fecunda. No ventre, mata as sementes do Ar ou as deixa latentes. A doença do Espírito, desnutrido de Fogo, deixa-me o Corpo doente... Onde vais, Inclemente? Meu corpo, por tanto tempo dormente, não te comove? Então, morre! É, quando a Terra acorda e me faz decrépita, com esta dor atlântica do mundo nas costas, que convida-me a morrer na Guerra. Que Guerra? O Nada? Torna a Água a me fazer dilúvio. Faz-me ir, de dormente, eu, peso imenso, ao fundo. Condenso, então, um fôlego último para um último urro... E o Fogo, vindo em meu socorro, ilumina o escuro. A Terra em mim sofrida, sentiu Ilha, logo ali à vista. A Água, então, à ela me conduziu. O sangue corria. Alguns poucos anos, levou a Terra para despertar completa. E os sapatos... Descobri-os apertados - coisa que não percebia. O Ar retorna e ora até se faz brisa. Não mais História, Fardo Mnemônico da Doença; Não mais crença tornada descrente, meu oxímoro; Não mais Mestres da Apatia; Nem mais Caminhos à Aporia... Agora sementes, outrora latentes, fertilizadas em poesia: os Quatro Elementos, dos Quatro Ventos, em mim, combinados. A Terra me abraça... Abraço a Terra molhada... E, às vezes, até vejo flores.

******* Deise Zandoná Flores Ilustração: Arilton Flores

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