Eco


Nesta noite, eu te ouvi chamar por meu nome. Eu olhei para trás, como se possível fosse, ver-te através do véu de ilusão que nos separa. Eu ouvi e ri das mesmas repetidas piadas. E uma vez mais, eu não pude chorar. Talvez tudo seja apenas frequência e energia, nas florestas onde nossas desavenças culminavam em entropia, e os choques de universos não causavam senão destruição. Eu versifico poesias para substituir os maços de cigarros no teu carro, e os tantos que carregavas em teus bolsos e, quem sabe, dar-te a chance que não tiveste. Meu primeiro amor, eu me lembro de quando me punhas em teus ombros, e te punhas a correr feito um louco e cavalgar desilusões jogando-me para o alto e me aparando de novo em teus braços... ... da mesma forma que eu me joguei em teus braços, quando, de presente, esperaste-me com a piscina montada em plena sala de estar. No entanto, tudo acabou tão cedo... E lá se foram os anos... E, por muito tempo, eu fiquei me perguntando o que eu fiz de tão grave para transformar o meu primeiro amor em meu torturador. Matéria e antimatéria... Uma vida inteira jogada pela janela, mas tudo se foi agora... Vá, não me chame, é hora de partir. Eu me lembro da tristeza... ... a tristeza pelo alívio que eu senti ao teres partido, mas eu não consegui chorar. Eu me lembro de, quando ainda delirante, nas poucas frases que faziam algum sentido, pediste-me: "Assume as rédeas da tua vida! Não te condenas ao limbo pelo que eu fiz. São os meus erros... Deixa-os os morrer comigo. Sente o alívio. Começa a viver. Tudo ficará bem, a partir de agora. Eu joguei tudo fora... E, nesta hora, eu só queria uma chance para ser teu pai. Mas tu vais ter que seguir em frente, apagar da mente todas as travas que eu te impus. De algum jeito, terás de encontrar um jeito de ser feliz. Não te condenas ao limbo pelo que eu fiz." Nesta noite, velho impertinente, eu te ouvi chamar por meu nome. Talvez fosse tudo frequência e energia. Seja como for, eu entrei em sintonia. "Não te condenas ao limbo pelo que eu fiz..." Revivi sentimentos que eu não nomeio. E só queria te dizer que a promessa foi cumprida. Eu recobrei minhas asas e aprendi a ser feliz. A ti, que és meu algoz e meu herói, eu digo: eu tanto que te amo quanto te odeio, e eu sei que tu te orgulharias disso. Deise Zandoná Flores Alta Sensibilidade no Facebook

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