Fragata de Promessas


Guarda minhas palavras, quando o sol ofuscar os olhos e a lua iluminar os corações. Perenes... Apaga minhas palavras, quando os ventos derrubarem os telhados e as agulhas, feitas de chuva, doerem as sensações. Perecíveis... Sob o sol e a lua, digo, escrevo eternidades, flores, amores aos expoentes. Sob os ventos e as agulhas, digo, escrevo armas, desesperos e venenos, aos dementes. E a tempestade encharca e, a alma, lava para fazer brilhar eternidades solares e lunares. Ainda sou mais brisa que tornado. No bem e no mal, sou expoente de mim. No inverno e no inferno, sou fragmento de mim; inundações, que ressecam meu hálito e me desidratam, aridez, que encharca tua pele e te afoga. Minhas sombras e ondas, meus jovens impetuosos, meus velhos cansados, em permanente batalha... Eu canso sendo muitos e ainda incompleto. Magoo. Meu pranto absurdo, meus fins de mundo que tencionam, com fúria, meus músculos e rompem pequenos vasos. Eu doo sendo nada e padecendo de tudo. Sofro. Edemas subcutâneos, pressão no peito, pressão nas artérias, gatilhos conterrâneos... Perdoa-me, sob as agulhas e as tempestades. Qual é a angústia que torna amigo o punhal? Saída de emergência... Qual é a fúria que aporta o beijo fatal? O repouso na caixa em que culmina a ausência... Ainda sou mais ouro e prata do que silício. Sou armistício. Seres marginais em sítios litorâneos... Permanecer à margem, banhar-nos nas enchentes, secar-nos nas vazantes das marés. Amores celestiais, engolidos momentâneos... Empreender viagem, desviar-nos dos dos pântanos, manter as bússolas nos pés. Deixa aceso o fogo; desobstruída, a chaminé. Derrete o gelo, que me maltrata. Deixa gelada a água; à mão, os copos. Controla o calor, que me desidrata. Perdoa minha débil fragata à deriva... ... e escreverei eternidades estelares, volumosas tempestades de luzes solares e lunares, para serem ofertadas às virgens nascentes, até que amadureçam e alcancem as promessas de Zéfiro: a Primavera, que nasce pérola, de uma concha à praia e é conduzida aos homens por sua comitiva de graças. São promessas de mel, flores e maçãs, que, a esmo, a débil fragata tenta trazer à terra, conduzida pelo teu farol. Deise Zandoná Flores Ilustração: Arilton Flores Alta Sensibilidade no Facebook: clique aqui.

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