Poucas Aves nas Sinapses


POUCAS AVES NAS SINAPSES Poucas aves em minhas sinapses... Poucas asas em minhas omoplatas... Ele tomou minha mão em uma estranha e desritmada dança. Um passo, um salto de um mirante e eu voltei a cantar... E, depois da música e do canto, o sono... ... os aromas, os pincéis, o artesanato, a dança, a mágica e a escrita... E a saga de destravar as omoplatas continua... E, sem um retorno às origens, nua, as raízes de uma ilha flutuante: o olho arguto e o voo. Estive certa em ignorar promessas. De portas fechadas, de janelas abertas, o ar entrou, tomou lugar em uma vida afogada em mar. O fogo na água: vulcão. Mais do que uma ideia: Vesúvio em Pompeia. Em novo livro, a festa: primaveras confluem em celebração. Quando o seu coração, cheio de mim, transborda, pede as portas abertas para caber em pequenas casas. E, só do lado de fora, no campo, no meu desejo em canto, em morros, em montanhas, em grutas, em faróis, em fortalezas, em mar aberto, com sua maleta esquecida de tintas, eu crio enredos, ele cria desenhos, eu artefinalizo. Tampouco sabe que me invade, e eu invento sorrisos com cores que ele trouxe, para uma autobiografia desconhecida. Eu, de mim, há muito esquecida, na sua, calma, minha alma voltou a falar. Eu, antes, de ouvidos surdos; ela, em castigo, emudecida nos discursos. Eu, hoje, de janelas abertas; ela, hoje, tagarela: discursos prolixos e profícuos. E, nos passos que viraram saltos... E, nos saltos que viraram voos... ... as paisagens vistas dos mirantes. Segurada pela mão e segura, sem cordas tácteis ou frágeis barbantes, a brisa, em contínuas massagens, e a garoa, que não mais machuca, com suas finas, hoje cegas, agulhas. Eu assino sorrisos em feitiços queimando velas, acendendo incensos... acendendo sentimentos, içando velas... ... para navegar em barco, em seu corpo, em seu alto-mar. Tomou posse de mim, reescreveu minha história. Adornei suas memórias, tomei posse de seus poros. E, na gangorra dos polos masculino e feminino, na praça pueril de nossas retomadas brincadeiras, com os pés cheios de areia; e os olhos, de maresia na calada da noite, escutamos as ondas nas conchas, ferimos para curar, curamos para voar pela primeira vez. E, não sendo mais poeira, no bombear vermelho-sangue dentro das veias, entre feridas de outrora, que ainda doem ao sol, e mil vidas, que ainda nascem do poente à aurora, estão a bússola e o farol. E, ainda nesta viagem, as poucas aves das minhas sinapses voltaram a bater asas outra vez.

Poema: Deise Zandoná Flores

Ilustração: Arilton Flores

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