Lua Nova Atravessada


Minha lua discorda da Lua. À Lua Nova, não presenteia com o sangue que Ela cobra - Lua de Morte, de tirar, de si, tudo o que não serve, para abrir espaço ao porvir. Minha lua não aceita a despedida e se angustia. E incha. Da Lua Nova, a minha crescente se ri. Eu cresço em Tempo de Morte. Eu findo um ciclo de vida, quando a Lua cresce no céu. E é quando a Lua está Cheia, que eu germino e floresço. Ofereço ao céu o meu renascimento. Lua Cheia no céu e, cá na Terra, eu, cheia de mim, transbordo. Fertilizo sementes de ideias, antes guardadas no escuro, presas às correntes do desconhecimento. É quando a Lua cresce no céu, que eu começo a murchar. Quando o sangue irrompe os véus da polidez. E não há vez que tarde a reduzir em corpo, ofertando à Lua, sangue e Poesias, em recompensa pela gentileza da espera. No espelho, o meu rosto empalidece. Na caneta, as tintas ávidas se apressam. Nos papéis, as letras enrubescem - não o rubor da timidez ou do pudor, mas o rubor do viço! As letras... Unem-se. Grudam-se, brincando de roda, de mãos dadas, agrupadas e reagrupadas, em brincadeiras de palavras: meninas crianças que, aos estratagemas, tornam-se viçosas moças. Das poesias, fazem-se poemas. É minha lua nova atravessada que alça voos aos pensamentos presos em gaiolas na Terra. Oferta mais do que cobra a Lua Nova de noite escura. Em gratidão pela paciência, a minha devota entrega: Ela ganha mais do que cobra, ganha o que não sonha e nem ao menos espera. É a Lua, que não me apressa, que prolonga a festa de minhas letras, meninas palavras, moças poemas... É quando explodem em risos e, tagarelas que são, manifestam-se aos gritos, todas ao mesmo tempo, que eu aprendo a paciência da Lua para dar-lhes a atenção requerida: a minha audição às suas vozes prolixas. Cabe a mim, então, organizar a busca, provocada por minha lua nova atravessada, em escritos agora tão Crescentes e, finalmente, estes alinhados com a Lua, que ilumina e impera sobre o negro céu. O rubor das moças rompe, com meu sangue, os véus do pudor. E, ao meu rosto pálido no espelho, o gosto de vê-las brincar entre si e já desgarradas de mim: ricas e profícuas.

____ Deise Zandoná Flores Ilustração de Arilton Flores

Página no facebook: Alta Sensibilidade - Deise Zandoná Flores

#luacheia #luanova #luacrescente #meninas #Lua #Luademorte #ciclodevida #germinar #florescer #criar #poetisar #poesias #poemas #viço #crescimento #criação #recriação #fasesdalua #ciclofeminino #sangue #men #menstruação

5 visualizações
ATENA

ATENA

Adquira já o seu livro de poesias!

APOLO

APOLO

Adquira já o seu livro de poesias!

HADES

HADES

Adquira já o seu livro de poesias!

AFRODISIA

AFRODISIA

Adquira já o seu livro de poesias!

Patrocine a poetisa. Doe um cafezinho. Grata!

Siga-me nas redes sociais.

  • Facebook
  • Twitter
  • YouTube
  • Instagram