Fogo Atrás das Pálpebras


O fogo não sentido pelo olfato alcançou o que meus olhos enxergam na escuridão, atrás das pálpebras. Não sei, ao certo, o que queima: se são cordas ou papéis amarelados, ou se é a primeira camada de pele da qual me despi, e que me deixou, em diversos momentos, prenhe de um terror calado... Se ao menos carregado de som fosse, não teria feito tanto estrago. Aprendo a escrever como os gregos, em quaisquer sentidos e direções. São toques sutis que transcendem as palavras e convidam à hipnose, induzida pela sedução e por um apelo sensível, do qual o desvio é o caminho seguro... Toda fuga do óbvio é uma seta, que aponta uma caverna escura. Toda fuga do óbvio é um fogo, que queima em segredo. O fogo não visto com as persianas erguidas é aquele mais carregado de mistérios. Queima mais profundamente, arde e convida à conquista de um território inexplorado, acessível somente quando as portas são abertas, a despeito de vontades, naqueles momentos em que o corpo ligeiramente resfria, e a respiração lentifica. Asas desconhecidas planam sobre a rotina e conduzem à terra, onde todos os mistérios, outrora codificados, são elucidados na ilha envolta em brumas, na mágica Terra de todas as Verdades, onde todas as pretensões de controle ajoelham-se perante a vida. Mundos paralelos coexistindo simultâneos, inter-relacionados, fraturando o eu de hoje... ... sempre desmontado pela próxima, em especial, pálida noite, em que estrelas anêmicas parecem derramar lágrimas de espíritos diluídos no limbo. A fumaça do meu fogo onírico, que crispa e encrespa, em vigília, a cada piscar de minhas janelas anímicas, traz estampados rostos ambíguos, que queimam e violam as leis da físico-química, pouco transformam - se transformam - do que deveriam. O fogo projetado pelas minhas pálpebras, como um antigo filme mudo, falam à versão vintage de minha vanguarda, que sobrevoa para então mergulhar, à procura de banho e de alimento para o fogo do espírito e do ventre. Talvez eu seja, nos píncaros, nestes piscares, uma ave aquática.

**** Deise Zandoná Flores Ilustração de Arilton Flores

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