Ondina


Ondina, de assombrosa beleza, vive nos lagos, riachos e fontes; vive nas casas das meninas; vive nos sonhos amorosos, nos corações das meninas-moças, mulheres adultas cultas e incultas, muradas ou arejadas. Vive naquele diário, naquele baú, naquele segredo guardado por zelo ou recalcado por medo... ... da repetição de um reinado anterior. Do reinado de Ondina, a queda, a fratura, o rasgo, a cisão. Perde, para si ou para a terra, a ingênua tarefa das águas: o amor. A guerra interna que a domina, os paradoxais sentimentos... O preço pago, do mergulho à aliança: a eternidade. O nascimento da criança, a relação que, a qualquer momento, pode ser morta.

"Beleza imortal, de inegável sublimidade posta em risco, trocada pelo amor de um mortal. Na traição de tua própria natureza, a beleza se esvai. O esforço pelo engano... Visto como merecido, o que deveria ser gratuito... Ondina, Ingenuidade é teu nome. O objeto do teu amor, por ti, tornado teu amo e senhor... Viste um amor, onde não existia. E, pelo amor, tu te tornaste mortal, envelhecias... E, quando a beleza te foi tomada pelo tempo; e as promessas de amor eterno, quebradas... ... no teu ferido coração, a fúria de ninfa traída. E, qual infidelidade roubou-te a ingenuidade... ... e, antes disso, sem enxergares, nos detalhes, as lealdades. Deixaste o promitente à miséria de seus votos, tomaste-lhe o último sopro outrora prometido. Na maldição, fizeste, do cavalheiro, a dívida de sua culpa. E a tua, de tua cegueira, que estava de sobreaviso? Acaso te eximiste? Torpe, cansado... Apressada a sua morte... ... fizeste-o quitar a sua dívida, tuas torturas submetendo-o à miserável sobrevida... Ondina, que vives no coração das mulheres que pagam o preço de suas vidas, e, pelo tempo, envelhecidas e trocadas por beleza jovem... ... roubas, do parceiro, o alento antes prometido. E o preço da antecipada morte, cobras. Pois que toda a mulher, que Ondina conhece, deve despedir-se dela ainda jovem, não pelo homem... Sua ruína não é só sua, é também tua! Não entrega, ao amor, teu último sopro para não ter de roubar-lhe, de volta, do outro o teu coração de ouro em maldição. Ele morre; tu, definhas... Ingenuidade é parte necessária cobrada e perdida para a Terra. Onde está teu limite? Tuas desventuras cobradas sob a forma de promessas, foram feitas, não apenas pelo amor, antes pela cultura! Da ingenuidade, busca a tua cura! Vive e deixa viver aqui nesta Terra!"

Toda a mulher, por nascimento recebe, de presente, a sua Ondina, à qual deve ser grata

pela pueril e lúdica fantasia e dar despedida ainda cedo...

"Teu viço traído e perdido cobra o suplício do outro... ... porque entregaste, ao Incondicional, o teu Duplo Marthyrio / Martírio... Pois que nem toda a fidelidade é o primeiro, Testemunho do amor; às vezes, é apenas o segundo, o duplo suplício: o teu e o do outro."

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