Ritmos e Sentidos


Entrei no ritmo que eu conhecia antes do congelamento. Recuperei os sentidos e os sentimentos. E a estrada não parece mais interminável e insuportável. Eu não conto mais os dias como quilômetros, em contagem regressiva para a linha de chegada. Eu corro para os lados. Eu corro em sentido oposto. É o que acontece quando um determinado rosto coloca tudo em perspectiva: faz a Terra voltar a girar em seu eixo, faz você se agarrar à vida como um náufrago, por todo o tempo e todas as braçadas, antes do último fôlego. Eu não me preocupo mais com seixos perdidos pelo caminho... Às vezes, até mesmo tento construir, com eles, um muro que impeça que o tempo cronológico me alcance. Desejo ilusório esculpido... mas a escultura já me satisfaz. É uma epifania. É o meu projeto de paz. É quando um determinado rosto faz você correr em sentido oposto ao fim, que você percebe que a estrada é por demais curta para o tanto que ainda quer viver. E sente que algum dia o fim só parecerá aceitável se aquela mão segurar a sua. Este mundo não foi feito para caminhantes solitários, que contam seixos em caminhos tingidos de cinza. Há que se ter, há que se ver mais cores, mais tintas. Os seixos, às vezes, parecem montanhas em cima do peito que impedem de respirar. É quando um determinado rosto troca seixos por flores, dores por novos eixos, que tudo parece se encaixar. E a paleta de tintas, que só conhecias foscos matizes, apreende um brilho que ofusca. E os olhos conhecem as agulhas que sempre quiseram conhecer: o brilho que desperta também faz doer. E quem ousaria fugir do caminho? E quem continuaria a contar os seixos, a sentir nenhum cheiro das flores de passado petrificadas, congeladas como eu estava no início (presa no círculo vicioso em que o início encontra o fim)? É quando um determinado rosto afasta os seixos, retoma os eixos e ensina o sim. É quando o náufrago aprende a mergulhar, que a paleta começa a brilhar. E as cores primárias ressurgem derivadas aos milhões. É quando a alma passa a sentir no corpo o desenho de um determinado rosto.

***** Deise Zandoná Flores Ilustração de Arilton Flores

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