Fulgor Bruxuleante


Quantas decepções alguém precisa amargar até aprender a viver? Quantas lágrimas alguém precisa derramar até aprender a sorrir? Quantos sonhos alguém precisa enterrar até aprender a ser livre? Quantos amores alguém precisa enterrar até aprender a descansar? Está além do vinho. Está além do instinto. Quando estiverem extintas todas as perguntas, um pouco depois da penumbra, as pistas até a. Quantas mudanças alguém precisa fazer até encontrar o caminho? Quantos desvios alguém precisa entortar até chegar ao destino? Quantos finais alguém precisa escrever até aprender o início? Quantas feridas alguém precisa curar até poder chamar a sobrevivência de vida? Está além das cordas. Está além das ondas. Quando forem encontradas as pontas dos fios trançados por panegiristas... Um pouco antes da pintura, as tintas, os pincéis, as penas; Um pouco depois dos tons pastéis, as canetas... ... nos silêncios ditos dos poemas; ... nas cordas não tocadas; ... nas vozes desafinadas dos violinos. Está nos tecidos desprezados de linho, nas sedas manchadas pelos bloqueios dos artistas, nos rabiscos, em papéis amassados, jogados nas lixeiras dos desenhistas... Está nos erros e nos funcionamentos, nos vazamentos das caldeiras, nos aços derretidos das siderúrgicas, nos resfriamentos... Está nas sombras, nas conchas e nas arraias, nos feixes de luz, nos raios de sol e de chuva, nos reversos e inversos dos versos poéticos do universo... Está no acréscimo de vácuo entre os átomos da matéria, na poeira que liga a memória à miséria, no marco onde alguém se situa, sob os postes acesos em ruas escuras... Está onde o nu encontra o vestido; onde o tabu encontra o sagrado; onde o cru encontra o caos... Está onde o lúdico encontra o lúcido; onde o ácido encontra o plácido; onde o onírico encontra a vigília... Está onde a fagulha encontra o gênio abissal... Está em tudo e em lugar algum, o Conúbio entre o Amor e o Absurdo, muitos antes do início, bem depois da iniciação.

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Poema de Deise Zandoná Flores Ilustração de Arilton Flores

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