Souvenir


É quase como uma doença esse souvenir que eu carrego, uma escultura de carne com marcas profundas de querelas inúteis, oriundas do vácuo de pensamentos ociosos, ciosos de algo que nunca possuíram: o respeito derivado do merecimento de quem fez tudo o que podia, e, ainda assim, perdeu tudo o que tinha. Mas o mundo joga o seu lixo aos vermes... E, no cerne de toda a carne que exalta um cemitério de virtudes, os vícios vermiformes, devagar, assumem seu posto. E mesmo a irreconhecida e negada maldade está sujeita à gratuidade da decomposição. É menos justiça do que império de um futuro do pretérito de uma grandeza que seria, mas nunca foi... ... por estar sempre aos flertes com os vizinhos verbos da terra: roer, corroer, decompor... ... devolver, ao berço, a criança plácida e lânguida, como um botão de flor que, antes de desabrochar, murchou. É... é quase como uma doença esse souvenir que eu carrego, essa arte da destruição, que me lembra que a erosão está à minha espera em todas as esquinas. E, se algo me alegra e conforta é saber que exaltadores vermiformes de vícios, com seus uniformes puídos de grandeza, apesar de umas poucas mordidas na minha carne, e feitos, eles também, de carne, e sujeitos, eles também, à gratuidade do berço, terão passado todo o seu tempo, o seu único tempo, em absoluto desperdício! Eu contemplo o sorriso do absurdo! Eu guardo, na estante, meu souvenir de marcas profundas de vícios vermiformes para me lembrar dos perigos nas esquinas (as esquinas das belezas com as distrações), e poder seguir o meu caminho... E, muitas vezes, e tantas vezes quanto possível, eu sigo com meu souvenir de vícios nas mãos e o exercício de virtudes em minhas ações.

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