Dádivas da Dúvida


O que há para além da linha do horizonte, senão a própria linha do horizonte que caminha na velocidade dos meus passos? Quem está por trás das letras gravadas em códigos binários? Que mágica transporta sensibilidade pelas ondas do rádio? Que mística faz linhas de outros poetas ecoarem na minha alma, aos gritos, como se fossem minhas? Que dança insólita faz a serpente que envolve mesmo o espírito mais resistente? Que luxo ou tesouro cintila mais do que a dúvida? A cintilância da dúvida... O que há embaixo desta pedra? Uma curiosidade infantil, uma aranha que pica... .. uma dor passageira para uma grande primeira descoberta. Uma criança persegue as pistas... ... milhares de mistérios e histórias no pátio. Quem sabe um achado arqueológico? A quem pertenceu a colher enferrujada no porão? Por que a fruta do alto da copa da árvore é mais bonita e atraente que a da base? Será para nos desafiar? A luz! O sol! O amadurecimento... à luz do sol! Uma nova primeira descoberta! Um passo a mais, um passo mais perto, alguns passos a mais, uma nova resposta... E, a cada resposta, a cintilância de uma nova dúvida. E como um detetive desvendando mistérios... E como um caçador de tesouros convicto de estar no caminho certo, sigo vendo novidades, fazendo descobertas sob as pedras do óbvio. Ganhei várias vezes o Prêmio Nobel ainda na infância, pesquisando o mundo com uma lupa no meu pátio, analisando as pistas com as ferramentas apresentadas nas páginas amareladas de um curso de detetive por correspondência, do Círculo do Livro. Descobri segredos inenarráveis, nos espaços brancos entre as palavras de uma reedição qualquer de Memórias Póstumas... E que surpresa vir a sentir e a saber que Machado havia encontrado e dialogado, em uma dimensão estética que, a mim, confiaram, com Luciano, o sírio... ... e ambos, com os sábios cínicos do mundo antigo? E eu, ainda com a lupa, brincando de detetive, olhando, nos espaços dos livros, as receitas de continuidade... ... enlouquecida atrás dessa tal verdade, que sempre me pareceu sinônima de uma saudade de um tempo que eu não vivi e queria mesmo viver sem sair daqui. E eu, com a lupa, espiando pelas frestas do tempo (Ah! O tempo tem frestas!) os diálogos, especulando se eu poderia fazer parte deles... ... e eu posso! Eu faço isso o tempo todo! Quem sabe eu possa dialogar com todos eles em alguma versão futura do Diálogo dos Mortos? Porque os mortos conversam... Os mortos conversam... e como! Quase os ouço quando fico em silêncio! (Alguém, por favor, coloque-me em um livro, para conversar com os mortos! Quero assistir e rir desse esdrúxulo diálogo!) No pátio, o elo... ... a cascata da vida de que somos tributários, que nos faz ser passos que empurram a linha do horizonte, que nos faz ser águas que fluem em universos paralelos, conectados e irmanados, na sensibilidade, pelas dádivas da dúvida.

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