Inquietude 360


Inicio no que é difícil. Absorvo-me no código e no desafio. Por certo, é no simples que eu tropeço, seco e vazio. Olhos em todas as direções e, por um senão qualquer, esquecem do chão. A areia pode ferir, quando os joelhos conhecem as lixas e as picadas de abelhas que acompanham as preces involuntárias à Terra. Deixo aos pés decidir por onde seguir. Não há o que... senão rir. Não há o quê! Pistas, vejo-as em todos os lugares, de farpas de caules derrubados por serras, de guerras de armas e de ideias... ... de mistérios que não tenho pretensões de decifrar. Ir ali e um pouco mais aquém e além. Ver um pouco além do não e do trivial. Pôr um expoente no sim para extrapolar o real, sem desmembrar o boneco de palito que eu desenho no papel. Nunca conheci quem, tão mal, desenhasse! Estou aquém, muito aquém do surreal: desnatural, talvez... E talvez aqui eu não me demore, nem me explique... ... e vá embora de vez! Olhos demasiado curiosos necessitam descanso. Ouvidos demasiado temerosos... Quisera os perdesse dos Sustos para o Espanto, ao ver profecias nos desenhos acima do chapéu. E um segredo me poderia ser anunciado sem ser revelado. Um mistério e alguns passos a mais... Um boneco de neve para zombar do calor... Um terror para zombar da apatia... Um segredo inexistente para zombar do tédio... Um riso para zombar do sério... O suor para zombar do asseio... E quem poderia levar à sério a zombaria, a não ser aquele que saiba que, sob ela, uma pele que arde está oculta? E quem poderia levar à sério a zombaria, a não ser aquele que saiba que a dor é a mesma, senão mais profunda? Outro sentir... Outro existir... mas... É feio zombar... É feio sentir... E eu tento não sucumbir... E eu descubro a utopia da união Amor-Respeito. O Respeito range os dentes, mostra a cerca e a fronteira. E eu descubro que o Amor

faz um ménage à trois incestuoso com o Cuidado e o Zelo,

para tratar os joelhos, machucados de poeira, desde o tombo. As feridas estão postas! O Respeito ordena: "Não faz doer!" O Amor desdenha: "Faço doer! Faço curar!" E o Amor bate a porta na cara do Respeito! Prefere estar às voltas com o Cuidado e o Zelo a se desperdiçar na polidez educada de dizer sem dizer nada. Descobertas assustadoras à parte, por uma boa brincadeira, a Terra sempre cobra o seu preço: as involuntárias preces, em feridas de areia nos joelhos. *****

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