Rostos em Muros Aleatórios


(Em qualquer lugar, um cenário de guerra, guerra declarada do mundo inteiro contra nós. Os muros e nós, a sós.)

Do meio do fogo cruzado, você se esgueira, aparência de um morto, acreditando que vive. Desatinos são cometidos por amor aos... para se livrar dos... ... vícios cretinos: os queridos pensamentos-apegos viciantes. Enlouquecidos amantes se perdem no limbo entre a paranoia e a realidade, conversando com rostos antigos impressos em muros aleatórios pela cidade... ... impressões que roubam qualquer esperança de serenidade. E quando os jornais atualizam o passado congelado? E quando os muros rebobinam, em contínuo infinito, os arquivos ocultos no disco rígido? Onde estão para serem apagados? Do amor ao ódio, é um estalo. Do amor que existiu ao ódio contínuo... Do meio do fogo cruzado, você se esgueira para fora. Segue, aparência de um morto, rastejando em campo minado enquanto, por todos os lados, bombas de passado estouram diante dos olhos! Bombas-saltos-de-tempo em anos... O presente é engolido em mensagens ocultas, enviadas por rostos impressos, nos muros das cidades, dos mortos que, esperando por seus corpos, insistimos em não velar e enterrar. Desatinos de amor aos vícios cretinos de flores de narciso que brotam no asfalto entre veículos de inocência e ignorância. Pensamentos obsessivos - os vícios cretinos amantes dos desatinos: brigas com as paredes e com mensagens inexistentes nos jornais. Rostos impressos, imobilizados em muros, parecem mais poderosos do que deus. E os eus se fragmentam em fantasmáticas e empoeiradas antiguidades. E, entre paranoia e realidade, projetos de poetas insistem em rimar rostos em muros aleatórios com amores em solitários velórios. Mediunidade talvez seja isso: receber mensagens de passado de mortos que seguem vivos em outras cidades, em outros planos, a despeito de nossas necessidades de respostas. E, em caridade, enviam mensagens mentirosas sobre coisas que queríamos ouvir e não ouvimos, no tempo em que partiram. Não é à toa que, quando aparecem para nós, nunca envelheceram... Estão, os mortos, ainda no passado falando com nossos eus do passado. E os seus rostos, por nós inventados e projetados em muros aleatórios pela cidade, são máscaras sobre os nossos rostos ainda jovens. E o morto-vivo, em outro plano, em realidade, não assombra. É o eu-fantasma que assombra o eu-vivo carente, desejante e deprimido que segue, aparência de um morto, esgueirando-se, em campo minado, para fora dessa guerra entre passado e presente. Mediunidade talvez seja isso: um eu-vivo sofrido, inconsciente e criativo, fabricando respostas de passado para um eu-congelado, preso no feitiço do tempo, poder seguir em frente e abraçar o presente. Como é difícil caminhar com um velório de caixão vazio imperando tirânico sobre o pensamento!

Os amores mortos, continuando vivos em seus corpos, escrevendo histórias de presente em outros livros... E, nós, precisando nos esgueirar, seguindo, aparência de mortos, em campos minados para fora da guerra...

E, no meio do tornado, e com caixão vazio deixar ir nossos mortos, rimando velórios com rostos congelados em muros aleatórios...

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