Fúria Lúbrica


Deixa ir os receios... Os julgamentos não podem ser desfeitos ou revistos, como não podemos mudar os seus resquícios. Deixa ir a raiva... A história não pode ser mudada, como não podemos mudar o que, daquilo que vivemos, ficou gravado. O que precisamos dissipar nem sempre podemos erradicar... Inteiros com nossos desejos e sentimentos-lixo, reciclados... Seja tensão, seja ódio, seja coração, seja vaidade... Somos íntegros, inteiros; não, partes. Deixa ir o que pode ir... E o que não pode, nós podemos, criativos, sublimar. Tua mão no meu pescoço e a tensão se esvai do rosto. Deixa vir a raiva. Não permitas que viva relegada às sombras a te perturbar, crescendo e te consumindo. Extravasa-a. Deixa-a vir brincar conosco. Um corpo dominante... Um corpo dominado... ... e a tensão se esvai do rosto. Prende-me com teu corpo e tua fúria! Não me deixes em fuga, perdida em alternativas, a não ser a de estar pequena e escondida, sob o teu arfar e tua saliva. Senhor... Mestre... ... a raiva é nossa aliada. Traz, como dádivas, a doçura e a cumplicidade, a ternura e a lealdade. Há ensejos que não se perdem... Há desejos que não arrefecem... O que a menina já sonhava, trancado estava em um cofre, cujo segredo fez questão de perder. A quem poderia dizer, cercada por higiênicos higienizantes? Ao silêncio, renegado... Relegado, o sonho, ao segredo... A beleza da natureza ainda é tabu, como o é o desejo nu para os excessivamente civilizados. Os teus olhos, não pude impedi-los de ler o que minha boca insistia em não dizer... ... nem precisaria. E, quem consegue esconder, sob o medo, dores e segredos de olhos escrutinadores? Um espírito selvagem reconhece, ao longe, o ânimo selvagem do outro. E este, o que pode fazer, a não ser aceitar docemente rendição? Rendida à tua raiva, metros e medidas de certo são aposentadas. E quem disse que o expoente da raiva, a fúria, não tem como correspondente o expoente da paixão, a luxúria? Deixa vir o que, na pele, está gravado. Deixa vir o que, nos neurônios também está... Tua mão no meu pescoço e a tensão se esvai do rosto. Deixa vir o espírito, despido de travas e receios, abrir caminhos para a ternura, ao sublimar a fúria, em segredo... Quem sabe amanhã, lá fora, poderemos continuar ternos, polidos e civilizados... E, quem conseguiria ver, pelas frestas de nossos olhos, os bichos soltos na floresta? Caídos de algum paraíso, compreendidos, acolhedores e acolhidos, no caminho próprio trilhado pelo espírito, em nossos corpos, livres dos ditames polidos dos arames farpados sociais... Na floresta, podemos ser mais... ... nossas tensões sublimadas em soltura e pescoço.

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