A Correção do Acerto


Intuição... ... recognição ou qualquer conceito que traduza o que eu creio precisar compreender. Preciso mesmo? Ainda menina, a mestre: "Tua primeira resposta estava correta; a correção, não. O que te faz apagar e recomeçar." Ainda menina, eu: "Eu não sei explicar, apenas sei. E se eu não sei explicar, então não sei." "O que te faz não confiar na intuição? Às vezes, ela sabe; nós, não..." Mas os outros... eles queriam resoluções. Eles queriam mais... Às vezes, respostas apareciam; às vezes, desapareciam. E eu quase nunca lembrava dos atalhos. Horas passavam... "Por favor, espera!" E eu refazia os passos de Pitágoras, Bhaskara... ... e outros "Não é mais fácil decorar as fórmulas?" "Não!" Elas fugiam de mim... e deixavam... ... raciocínios tortuosos, complicados, ... trabalhosos, desprovidos de atalhos, e eu chegava, mais exausta do que todos, ao mesmo lugar. Depois de chegar, eu não sabia explicar. "De onde copiaste, filha, diga!" "Não copiei!" "Por que sempre somos chamados? Por que me envergonhaste?" "Envergonhei?... mas eu acertei... desculpa... Desculpa? Desculpa..." Novamente... ... um novamente que se tornou repetição: "Tua primeira resposta estava correta; a correção, não." "Em casa, disseram que eu copiei..." "De onde? Não está no livro, tampouco no caderno. Parabéns! Compreendeste..." Eco-progenitor: "Por que me envergonhaste? Por que me envergonhaste? Por que me envergonhaste? Por que..." "Mas eu acertei... Desculpa! Desculpa..." Anos e anos... ... e eu seguia temerosa, impostora expiada... ... e eu seguia perseguida, abjeta, traidora... Eram mil olhos na minha direção... Existiam mesmo? Eu não sei... Dois pares, eu sempre os via; os outros, não. O medo era real. E, quando o medo é real, os fantasmas também são... Definitivamente, são! Confusos, difusos... eles são! "O que é isto na redação?" "Ora! É uma conclusão!" "Sobre as férias?" "As férias... sim! Sobre a guerra!" "Que guerra?" "A vida, oras!" "Mas era sobre as férias..." "Que férias? A guerra-vida nunca tira férias, tira?" "Nós precisamos conversar com..." "Não! De novo, não! Nada pode melhorar! Podemos manter este segredo? Desconta pontos... diminui a nota... Por mim, tudo bem!" "Por que tanto pessimismo? De que tens medo?" "Eu explico na conclusão..." "Explica de novo... Eu não entendi." "Enquanto você olha para os céus, a terra devora os seus pedaços..." "Isso você concluiu... sobre as férias?... ... sim, sobre a guerra... entendo. Mas por que tanto pessimismo? És apenas uma criança..." "As carnes das crianças são mais tenras e macias..." Eco-mestre: "Tua primeira resposta estava correta; a correção, não." "Tua primeira resposta estava correta; a correção, não." "Tua primeira resposta estava correta..." E o tempo, corre a despeito... E, a partir daqui, quem haveria de me dizer o que está correto ou não, sem cobrar mordidas na minha carne? O meu sangue, eu podia fornecer... ... mas Eles querem pedaços de inocência... E a experiência nada ensina às crianças perdidas, sem um guia que lhes traduza as pistas, decodifique-as, crie novas... ... ou destrua metanarrativas caducas! Às crianças perdidas, a experiência nada ensina! E os dicionários... Os dicionários estiveram todos fora de alcance. E as pedras mantiveram segredo. E as guerras continuavam... E as crianças continuavam a sonhar... ... a sonhar... meu deus!... a delirar com férias! Eu, não! Eu não podia me perder em sonhos! Definitivamente, eu não podia me perder... ... em sonhos com os céus. Eu não podia esquecer os perigos! Eu não podia esquecer os escudos! Os adultos estavam todos ocupados e surdos. Muitos eram soldados; outros tantos, inimigos. Os códigos estavam todos cifrados... E os dicionários... Eco-mestre: "Tua primeira resposta estava correta; a correção, não." "Tua primeira resposta estava correta; a correção, não." "Tua primeira resposta estava correta..." Havia um sabotador infiltrado na razão, alimentado por aqueles que lhe deveriam dizer não. Seus cúmplices... ou criadores? A intuição estava correta, mas havia um ladrão, validado pela realidade, legitimado, realizado por seus cúmplices... ... ou seriam criadores? Seriam Deuses? Sem dicionários, sem guias, sem escudos, sem armas, no meio da guerra, em quem confiar? Estranho... ... alguns parecem mesmo tirar férias... ... sem armas, sem escudos... ... como sobreviverão às guerras? Eco-escudo que eu sempre carrego comigo, desde tenra idade: "Enquanto você olha para os céus, a terra devora os seus pedaços! As carnes das crianças são mais tenras e macias..."

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