Sob o Tapete Vermelho...


Flores aguardam as respostas honestas... Armas brancas aguardam as mentiras brancas... Seria bem assim? Eu penso que não. Quantas vezes estendemos o tapete vermelho sobre a lama? Dores aguardam as respostas honestas! Mãos lavadas aguardam as mentiras brancas! Quantas vezes lançamos, sobre o verdadeiro, nossas piores sentenças, sem o devido julgamento? É fácil amar o tapete vermelho, mas a lama não merecia o mesmo amor, ou ao menos compaixão e acolhimento? É fácil amar o tapete vermelho, mas os cacos, nos cantos, não mereciam o benefício da dúvida? Você vê o casco mas não vê a história. Você vê o véu mas não a supressão da memória, e as inconsistências resultantes... ... coisas tão dolorosas que, para preservar a vida, a mente trata de esquecer. A mente trata de preencher lacunas nessa zona confusa e nebulosa... Mas a pele não esquece... O instinto não esquece... E, quando o alarme grita "ameaça!", há trincheiras e esconderijos que você não alcança. Há uma mentira branca para evitar o conflito, para proteger o cristal quebradiço... ... das pancadas dos adultos; ... dos estilingues das crianças. E você já tirou a lama de seus pés? Tapetes vermelhos são estendidos para o que nos agrada. Armas são postas à mesa para o que nos destoa. Flores aguardam as respostas honestas, desde que correspondam às nossas projeções. Se nossos olhos castram, podemos esperar algo melhor do que escapes e subterfúgios? Se nossas atitudes castram, temos direito a esperar apenas virtudes? Há lama sob o tapete vermelho... ... há medo e autodefesa. ... há histórico de julgamento e trincheiras. ... há verdades... E se tapetes vermelhos fossem estendidos para o humano demasiado humano, para a acolhedora audição... ... não nós seria oferecida, gratuitamente, a transparência do coração? Estou aqui para dar um nó em suas certezas. Estou aqui para falar de trincheiras. Se você tolhe a espontaneidade, por que deixá-lo ver a nudez da lamacenta verdade? Se armas estão postas à mesa, o alarma dispara "AMEAÇA!" As trincheiras existem para estas contingências... Quem vive ocupado com a própria sobrevivência, não tem leveza para ser e viver. A memória não é acessível (todas as respostas parecem fabricadas), mas ela existe no arrepio da pele, e existe no frio súbito que surge quando a intuição grita "PERIGO!" E se tapete vermelho fosse estendido para o laço? E se o julgamento fosse substituído pelo abraço? Você vê o casco mas não vê a memória... (não são desculpas) Você vê o casco mas não vê o trauma... (não são justificativas) É o que é... É o que existe e o que escapa. É o que está perto e o que não está acessível. E a sua necessidade de controle está escondida onde? Se não há o benefício da dúvida, as esponjas guardam as lágrimas para a seca, porque quando as portas da percepção estão abertas, quando sinais de ameaça (reais ou infundadas) são captadas, a intuição descompassada grita "FIQUE VIVA!" Você já foi encurralado e interrogado horas a fio, sem água, sem sono, sem alimento para confessar algo que não fez? Mais de uma vez? E você já confessou por exaustão? Você já foi encurralado por dias a fio com restrição de sono, sob ameaça de abandono com alimento negociado por promessas inexequíveis? Você já teve a missão de adivinhar o crime que não cometeu para fazer cessar a punição? Mais de uma vez? Por acaso, já doeu qualquer coisa de fazer inveja a um principiante torturador? Você já traiu a si mesmo por minutos de sono e um pedaço de pão? Não? Então, não me fale em traição... Não venha com essa tagarelice moralista que a sua anti-empática e desumana idiotice produziu! E se a acusação fosse substituída pela pergunta? E se a sentença fosse substituída pela compreensão, E se a compaixão fosse temperada com um sorriso amistoso? E se a desesperança fosse soterrada, e sobre ela fosse cultivado um terreno propício à confiança? E se a criança interior e assustada do outro fosse recebida com empatia e compaixão? Quem sabe assim os loucos e descompassados alarmes da intuição parariam de disparar por qualquer coisa e por nada... O meu sonho sempre foi poder dispensar as trincheiras, deixá-las serem tomadas por poeiras e teias de aranha. As portas da percepção não fecham para os traumas! O coração dispara e a intuição grita "FUJA! MINTA! FIQUE VIVA!", se eles encontram abraços cheios de espinhos... E as mentiras brancas que você detesta, não é você que as fomenta? E as respostas honestas que você adora, não as recebe com suas melhores armas? Enquanto as armas estão postas à mesa, sempre existirão as trincheiras. Você ofertou mais do que uma preguiçosa e viscosa compreensão... ... e depois ainda usou a nudez do coração como arma? Depois de soterrar a desesperança... Depois do piso propício à confiança, os pés podem ser limpos da lama, as armas podem ser dispensadas... ... e flores podem ser ofertadas às mentiras brancas, ... e sementes de respostas honestas podem germinar. E quem sabe, um dia, trincheiras podem ser abandonadas à poeira e às teias de aranha. A verdade na lama, sob o tapete vermelho...

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