Um Grau Maior


Folhas secas... ... e as pedras nunca responderam as perguntas que as meninas lhes fizeram. Amareladas fotografias... ... registros de pés que não rachavam no calor do asfalto, que eram espetados por espinhos e rosetas. Lembranças sensórias de uma natureza que hoje, muitas vezes, não cheira. Os sons dos pássaros estão gravados... Os sons das águas nas pedras estão gravadas... Acaso, tememos perdê-los? Se os pés estão rachados ou espetados-rosetados, são as fotografias da paisagem que o tempo imprime, feito polaroid, no papel da pele. O tempo marca e desenha... As meninas não sabiam ler as pedras e ainda não sabem. As respostas estão sob a grama verde, nos bueiros, nas copas das árvores ou em qualquer coisa vista ao abrir as cortinas. O vento ainda é mais doce que o ventilador, mas o conforto faz dormir melhor no frio e no calor. São as tatuagens do tempo que moldam o corpo e os neurônios. Sentimos o tempo diferente do que sentíamos há tempos. E outros ainda não sabem do que falamos... se de uma outra era, se de tempos imemoriais... ... mas foi há pouco mais de vinte anos! Vinte anos... ... podem ser bem mais do que uma vida inteira para vidas que não têm vinte anos de consciência. E vinte anos de consciência é bem mais do que vinte anos. Quando nasce a consciência? Um pouco antes ou um pouco depois de um ponto qualquer indeterminado. É o grande segredo, não? As respostas desenhadas nas pedras aparecem quando abandonamos as perguntas. Os desenhos sempre estiveram lá... Os desenhos sempre estarão lá... As coisas estão mais ao alcance da mão. E até onde a mão alcança? Alguns navegantes navegaram no vácuo até a lua. Alguns navegantes navegaram nos quadrados de seus pátios. Se o corpo está aqui ou acolá, a alma sempre vai mais longe. Se não vai... o corpo adoece! Os dicionários todos surgem quando a alma desperta, para serem abandonados por dicionários fabricados pela própria consciência. E, quando a alma desperta, a consciência de vinte anos não leva vinte anos para despertar. Surge em um flash, um soco, um solavanco! E, quando os olhos precisam de lentes de maior grau, a alma pode ver mais longe. E, quando os olhos precisam... ... as coisas se tornam mais simples de se ver. E eis a surpresa! Os olhos precisam de um grau maior para entortar a dorsal, trazer o nariz ao grau original, tão paralelo ao céu quanto ao chão, para levar as certezas, feitas de poeira, embora com o vento (as certezas de achar que se pode ver tudo), para restituir, ao homem, a necessidade e o prazer da vontade de evitar a inércia de uma visão tão límpida quanto apática de quem acha que não há mais nada no mundo para ver.

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