Olhos Negros


Eu não sou nada além de emissária das trevas que caminha bem na escuridão com os olhos desligados, sem usar o tato. Eu sou no arrepio... e antes dele. Estou aqui para suspirar o impossível, sussurrar terríveis enredos para despertar os seus medos. Fugindo de mim, você se mantém nos trilhos, percorrendo melhores caminhos do que os que eu percorri. Eu não falarei enredos de salvação e redenção. Isso você busca em lugar mais apropriado. Eu vi o mal, olhando fundo em seus olhos: aquele que reside à sombra, atrás do espelho, e devolve apenas o reflexo daquilo que queremos ver. E que seja assim... Essa é a minha função: desmontar a figura de meu pai, como todo o filho faz com seu pai, antes de reconhecê-lo, antes de respeitá-lo. Eu sou emissária das trevas. Despeje em mim todas as sombras, que eu absorvo. Despeje em mim todas as luzes que eu absorvo, e devolvo enredos sussurrados de terror. Alguns homens estão perdidos... Entortam caminhos para torná-los retos. Desacertam caminhos para torná-los fáceis e os embotam. Para homens perdidos, não adianta paz. Para homens perdidos, apenas sustos... Antes de nós... ... eles já compreenderam isso. Por isso, demonizaram meu pai, apenas um curioso, petulante, questionador. Demonizaram-no para torná-lo mais humano. O quão demônio-humano você é? Eu ando pela escuridão, sussurrando, em ouvidos confusos, enredos de medo e terror. Ouça-me! Fuja de mim! e encontre o seu caminho. Fuja de mim! e faça o que é preciso. Fuja de mim... ... não sem antes olhar em meus olhos, que eu devolverei aquilo que eu vejo, aquilo que você se recusa a ver. Aquilo... Eu era aquilo... Sempre fui aquilo... Sempre validei e valido... Valido o que pensam de mim... Cuidado com o que deseja. Cuidado com o que renega. Cuidado com o que rejeita. Se eu pareço o frio, eu congelo. Se eu pareço o calor, eu queimo. É assim que eu funciono. É assim que eu ajo. O que se vê em meus olhos negros é o seu pior medo... O que você teme? Do que você se esconde? Não há por onde fugir... Eu levo ao afogamento... Desça! Caia! Desmonte-se no chão... ... que o meu presente é a escuridão. A minha dádiva, o meu dom é a escuridão... Então, saia do labirinto! Antes disso, precisa encontrar a sua própria luz. Então, precisa soltar a sua cruz... ... e brilhar. Então, precisa brilhar mais forte do que a escuridão que eu imponho para encontrar... ... a saída. Eu estou aqui para oferecer desafio, medo, escuridão e dor. Eu sussurro enredos de terror, para que você, em papéis escuros, escreva os seus próprios e translúcidos enredos de amor.

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