Sem a musa


Ele sequestrou minhas ideias, manteve-as cativas, estéreis. O tédio continua a se espalhar como erva daninha, e as flores não podem vingar. Onde estou, outras crescem como mato na estação das chuvas, que o vento agita e não derruba. Eu não sou um punhado de ideias roubadas; Nem tropeços ou quedas de tapetes puxados. Os meus pensamentos, não pôde roubar; As minhas centelhas, não pôde apagar. Onde vermes residem e se alimentam, a morte fez visita e já passou; o sol já se foi; a noite chegou. Apenas fantasmas e lembranças habitam... Minhas ideias cativas são punhados de terra sobre o caixão, abrigo para os que morreram e não conseguiram relaxar. Em leito de cetim, o que morreu não gera vida; a ideia-filha morta não ressuscita. Se pinus ou mogno, de qualquer jeito, apodrece. Sou grama cortada que ainda cresce. Meu coração conduz seiva nas plantas, bombeia sangue em minhas veias. Das teias de suas armadilhas, eu consegui escapar. Se ele foi aranha, eu fui escorpião. Meu veneno é também mel que tudo pode curar. Sou grama que cresce a sete palmos do caixão. A música há tempos parou de tocar. Sem a musa, nada pode brotar.

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#musa #morte #vida #ideia #criatividade #inspiração

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