Tributo ao Presente


Coração acelerado, eu em repouso, Muito sono, sem conseguir dormir, Estou no limite de novo, Perdida numa avalanche de estímulos. O pensamento filtra a emoção aflita o meu corpo Ainda assim, padece o meu corpo.

Padeço. Há um tornado dentro de mim

E fora Projetada para cima esperando cair Quem disse que se pode controlar? Há dias em que tudo está no lugar certo, tudo certo Até que uma centelha, uma fagulha Me captura. Não consigo retornar assim tão fácil. Eu fico vigilante o tempo todo, todo o tempo Ou ao menos eu tento Mas uma fagulha, uma centelha, me aspira, me atropela, me atravessa, me transporta Um outro tempo, sem um tempo, uma outra dimensão Retorno a um tempo e escapo,

Geralmente em um susto, Não consigo me manter presente no presente. Estou subindo e não sinto, não me sinto Tão leve no escuro, solitário monocórdio Eu contando com a sorte Se é na rua, a captura, A buzina dos carros, os carros que desviam É o que me acorda. Por quanto tempo ainda? Por quanto tempo dependerei da sorte? Um dia, eu acho, há muito tempo atrás, Eu nem lembro, Eu conseguia me manter focada. Hoje eu preciso enfocar na sorte. Hoje eu preciso da atenção alheia. Os tempos todos se misturam, Assisto ao passado, presente e futuro. Estou mesmo dentro de um buraco negro? Está tão tarde e parece tão cedo. Estou em um tipo de fenda, e me entendo: Estou contando com a atenção alheia. É um só um traço, é um instante. Eu me ausento. Há tempos, estou no meio dos carros. Estou aqui e em outro lugar Para onde se pode ir sem conseguir voltar. Eu só quero ficar no tempo presente. Me permita ficar no tempo presente Antes que eu nunca mais possa voltar. Quero ter a chance de sempre retornar. Que isso acabe logo, não consigo suportar, Antes que o rapto se converta em epitáfio. Por favor, me ajude a ficar no presente. Quando está morto, eu componho um tributo E me escuto dizer o que eu ainda não disse: Por favor, não mate o presente para mim.

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#presente #rapto #buraconegro #poesia

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