Exército de Misérias


Milhões de credos e teorias para fugir aos domínios do absurdo. Milhões de sinos e sinistros homens ditando toques de recolher, elaborados planos de fuga do absurdo. E o coração de volta à Terra... E a mente presa por grossas, temíveis correntes, invisíveis,

pesando ao redor do pescoço, impedindo olhar para a frente, e para quem precisa, mesmo que seja alguém ao lado de quem se dorme e isso pode ser distante, e isso pode ser tão distante, como um funcional e perfeito encaixe de ossos.

Passamos a vida buscando contato com uma bizarra imagem de homem, uma distorcida imagem de homem, uma inflada imagem de homem, que viria resgatar o ideal de homem

(e não a nós que esperamos), da grande prisão que ele mesmo criou se não fosse grande demais pra se importar, importante demais pra se importar

com colônias de formigas ou flocos de poeira, sem foco, só flocos, sem eira nem beira.

Quem virá ao seu encontro senão os seus?

Se é que virão... Quem virá ao seu encontro senão os fizerdes seus?

Se é que eles são... Milhões de credos e teorias para fugir aos domínios do absurdo Milhões de sinos e sinistros homens tocando sinos em um quarto escuro marcando o toque de recolher... Ditando o toque de recolher... É só um toque de recolher... Milhões de toques de recolher dos sonhos direto para a sepultura.

Dizem eles que a morte liberta da carcereira da vida se a liberdade for tornar-se escultura trancada em uma caixa feita sob medida. É uma boa noção de liberdade... É um bom propósito de vida...

Dizem eles que a morte liberta da carcereira da vida, se a liberdade for tornar-se séquito louvado o grande e eterno monstro que condenou ao abandono por toda a vida e ao julgamento no final para premiar nossa clausura ao conceder um posto a mais junto ao seu séquito de adoração ao grande séquito que despreza o pensamento da diferença, do diferente a não ser que fosse igual a si.

O grande ego no céu só quer o grande espelho na Terra. O grande ego na Terra só vê o grande espelho no céu.

Milhões de credos e teorias para fugir aos domínios do absurdo Milhões de sinos e sinistros homens prometendo claustro em libertação do claustro... em libertação do claustro em libertação do claustro...

em libertação do claustro...

Pureza impura em aporia. Amor às custas do sofrimento, como se não andassem sempre juntos como um casal inseparável fazendo birra, e manha e birra para as certezas torpes do séquito soldados que levam a morte em vida e a morte simbólica às dúvidas e aos que duvidam. Pois o que não basta em si mesmo deve bastar mesmo que para isso deva matar para que baste. E assim não basta porque nunca basta. E o grande ego nos observa avaliando o que somos e o que fizemos, submetendo à paranoia do seu olhar constante, à maldade vaidosa do seu olhar constante que nos sequestra o mistério e a privacidade transformando a vida dos humanos no primeiro perverso perpétuo reality que já dura milhares de anos. O olhar do grande ego, as pedradas do grande séquito estão aqui para enclausurar a pretexto de libertar para enclausurar... Exército de misérias!

Exército de misérias!

Não é de se admirar que o grande ego tenha um grande séquito de grandes egos, invejosos apáticos de seu imenso poder, poder este que eles mesmos lhe deram, desde que alguém lhes ofertassem em troca regras para viver, sem precisar pensar, sem precisar sofrer. E, sem pudores, com a missão de tentar submeter, disputando tal qual leões famintos, as ovelhas distraídas pelo caminho. Seja séquito, seja rebanho há de ser leão para rejeitar a clausura a captura, e o aprisionamento. Há de ser leão para rugir para o absurdo para perceber a distorção do grande espelho, em que nossos pecados estão presos no céu, atrás do espelho, e nossos olhos estão seguros contra a dor que sentiríamos se os pudéssemos ver.

Somos livres para decidir voar e ver o que há por aqui, mas há de se aceitar o risco de assumir o vôo sem que ninguém assuma por nós o risco do vôo. Difícil é aceitar as consequências das escolhas quando não há coveiros que nos digam

como se deve morrer. E, desde os 11 anos, quando compreendi

a terapêutica provisória da vida, eu recusei o mapa da casa de espelhos. Por muitos anos, desde os 11 anos, eu recusei o exército de misérias.

Madalena recusando as pedras sem um grande ego que a defenda do grande exército de misérias. Ela caminha como pode, rejeitando como quer as regras da boa morte e o séquito autoproclamado "exército", que disputa a cadeiras na morte com os vermes que roem as últimas carnes da vida.

Exército de misérias.

Exército de misérias.

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#crença #religião #morte #séquito #adoração #mulher

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