Perguntas Mortas


A quem interessa respostas para perguntas mortas? O tempo passou O tempo é implacável: erode terrenos, transforma paisagens. Desdém retribuído ao desdém: justa medida. O alimento não veio a tempo: as crianças morreram de fome. As respostas não vieram a tempo: os jovens abandonaram as perguntas. Não é possível retroagir o tempo ou ressucitar os mortos. Os vivos seguem em frente, como podem... e, como de costume, continuam a olhar as bananeiras pela janela entediados... Enquanto vivos, estiveram juntos entre erros e acertos Dispostos a apagar o grafite umas duzentas vezes Não se importando em amassar os papéis e começar do zero Mas cá entre nós, eles partiram e já foram tarde! Vulnerabilidades expostas, caviar dos canalhas, manipuladas para retroalimentar meus temores Ameaças que eu nunca esqueci Se vãs ou reais, a quem importam? Nem mais a mim, elas importam Mas eu lembro, eu lembro do que eu senti... Guardei na lembrança, por descuido, como souvenir, do que se ganha quando se necessita de alguém em quem confiar ao menos uma vez, uma única vez, só para variar... Anos de oportunidades disperdiçadas, de tempos para regular as marchas, revisar os freios, e seguir viagem. Nada se pode alegar em defesa, coisa qualquer que faça sentido. Talvez seja hora de aposentar o escudo, que protegeu dos disparos que o amor efetuou e que ao ricochetear e me afogou por excesso. Acaso sonha em ressucitar os mortos? Acaso me teme? Sei que me teme... ... por razões que jamais me alcançaram e tampouco me interessam. O passado é morto E não há o que manipular da memória dos mortos... Não manipula... Porque o que houve e o que há não pode ser alcançado por racionalizações Há algo de virgem na memória sensível E eu lembro, e não porque eu queira, Mas eu lembro na dor febril que ressurge na minha pele... Eu lembro o que eu senti... Ah, eu lembro bem o que eu senti... O futuro do pretérito não existe É não-ser a não ser como possibilidade. E a possibilidade está finda. Assassinada pela esperança que não seria a última a morrer, a não ser como a assassina de todos os frutíferos sentimentos A esperança é a prisão das almas compassivas e apaixonadas. Se é fé, há uma aposta em Santa Errada Não refaço caminhos percorridos Não retorno a lugares abandonados Santa viva não concede graças a preces prostradas Santa concede vida em resposta a preces sentidas pelo sagrado de seu corpo. Se há Esperança, que a bela donzela seja assassinada! Porque anos de oportunidades desperdiçadas não são como simples equívocos e o preço que foi pago em vida: para este, não há reembolso. Se aguarda algum milagre, a espera é vã porque a fala e a palavra são racionalizações apenas racionalizações apenas racionalizações apenas racionalizações apenas, apenas, apenas... Se espera milagre, milagre não há porque aqui não há Santa, há mulher, Mulher, MULHER. Ao coração de uma mulher, racionalização de emoções é desvio de curso, nada mais.

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#oportunidade #pergunta #poema

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