Lascívia Elegante


Quero perturbar a tua ordem com meu caos Quero nadar contra a corrente E me afogar, se for preciso Tu não podes me impedir Mas podes me acompanhar Quero derrubar tua moral, No presente do instante, Com minha lascívia elegante Tu não podes evitar Mas podes te permitir Quero te desconcentrar com meu riso alto Há muito tempo, abandonei o salto E coloquei meus pés no chão Quero calar a tua boca com meu corpo Porque, meu amigo, o desejo escorre Ferindo a moderna assepsia insensível Seus afetos econômicos e higiênicos não me satisfazem Será que o amor precisa mesmo de regras e regulamentos? Pra mim assim assassinamos o amor... E a quem, meu bem, legaremos testamento? À Modernidade impassível? Quando foi a última vez que andaste descalço? Quando deixaste a última onda bater em teus pés? Não é à toa que tuas mãos estão frias Sobrepujaste a natureza com excessiva civilidade E hoje é de se esperar que tua vida esteja pela metade Distintamente se esvaindo à espera de um resgate Eu quero sentir o vento, o corpo, o sol, o frio, a chuva, e tua boca Eu sou a mulher suja de lama que voltou da terra E se banha louca no mar Abandona os teus casacos e tuas convenções Despe-te do teu estéril bom mocismo, moço O frio que sentes Pode nos fazer congelar Não duvides do poder das emoções Eu sei bem como aquecer tua pele Enquanto lutas contra teus fantasmas Eu sei bem como fazer tua mente silenciar E desemaranhar tuas defesas quando mentes Porque não precisas de defesas contra mim É pele contra pele, que tudo pode melhorar sim Que as inseguranças se desfazem, E as dúvidas são encolhidas Não te enganas com tuas frágeis teorias A supremacia da mente é uma falácia que nos parte ao meio Tentativas torpes de enganar a morte Porque, meu amigo, tu não podes Fugir do corpo sob pena de enlouquecer E porque haverias de querer tal violência? O preço da imortalidade é a demência A pele que arrepia instala a ânsia que cala os medos ancestrais O desejo que escorre anima o espírito que separa o joio do trigo O gozo extático que coroa o ato transcende o corpo, [Ah isso é um fato! Reintegra o que o mundo dividiu E nos transforma, na fração breve do instante, em divinos imortais Responde às dúvidas suspensas Que acreditávamos erroneamente serem aporias Traz de volta o equilíbrio que reinstaura a ordem no caos Negar que corpo anima a alma é heresia Deixa-nos errantes entregues ao abraço da morte A navegar sem rumo em nossas naus.

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#desejo #lascívia #erótica #paixão #amor #natureza #civilização #imortalidade

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