Quem Abandona, Precisa de Um Colorista


Quem ama, não abandona. Se há abandono, não há amor. Acreditar nisso é fazer tabula rasa das emoções do outro. É acreditar numa certeza que beira o fanatismo.

Quem estufa o peito e grita o abandono, não compreendeu a relação. Não ouviu o outro falar até o fim. Faz terrorismo com as palavras. E terrorismo sim é ausência de amor.

Quem se sentiu abandonado, não foi abandonado em vão. O abandono não é o fim do amor. É aceitação do fracasso da relação. É aceitar nunca ter sentido amado.

Abandono é cansaço. É deserção apática. É triste resignação.

Quem abandona o relacionamento de sopetão, sem uma última conversa, sem qualquer aviso ou despedida, sentiu-se abandonado há muito tempo. Nunca foi ouvido até o final.

Se foi ouvido, não foi compreendido. Se foi compreendido, não foi atendido. Se não foi atendido, foi negligenciado. Se foi negligenciado, foi abandonado.

Há tantos tipos de abandono!

É abandono se mostrar inabalável frente ao sofrimento alheio.

É abandono rejeitar a mensagem pelo exagero da afetação.

É abandono rejeitar o conteúdo da queixa pelo exagero do tom.

O exagero do tom não invalida o teor da mensagem. Não é invenção do conteúdo. Não é mentira.

O exagero afetado é a palavra não ouvida que cresce, engorda, pesa, multiplica e transborda.

Quem ouve a mensagem, drena o exagero. Quem não a ouve, potencializa o exagero. E o exagero quando cresce exponencialmente resulta no abandono.

Quem abandonou, silenciou de vez. Calou-se de cansaço. Cansou-se de silêncio. Silenciou porque não foi ouvido.

Não deixou de amar. Cansou de tentar.

Aceitou a derrota. Descobriu que a vitória do amor, lhe traria um troféu de espinhos. A vitória do amor lhe arrancaria sangue das mãos.

Quem abandona a relação, aceitou amar sozinho. Aceitou que sempre amou sozinho. Não desistiu do outro, desistiu da relação.

Abandonou a relação sem dizer nada. Provocou um terremoto que abalou as estruturas frágeis da relação.

Sabe que no saldo de mortos e feridos, o amor é o primeiro a agonizar e o último a morrer. E morre sozinho.

Quem desertou da relação, calou-se para não abafar a voz das antigas mensagens com o ruído de novas.

Perdeu a fé na relação. Precisa da fé inabalável do outro.

Precisa que o amor seja resgatado antes que faleça.

Só recuperaria sua fé se as antigas mensagens fossem ouvidas. Se elas fossem compreendidas, mesmo que não fossem prontamente atendidas. Precisaria saber foram refletidas, não simplesmente ignoradas.

Quem abandonou a relação sem abandonar o amor, só voltaria a ter fé, se visse disposição no outro em resgatar o amor de sua agonia última. Se visse o amor ser cuidado e nutrido com disposição e paciência.

Quem abandonou a relação se assemelha um moribundo agarrado a um último fio de vida.

Precisa de um cuidador, de um enfermeiro, de um curandeiro, de um nutricionista, de um cozinheiro, de um alquimista.

Precisa sobretudo de um colorista capaz de imprimir cores novas, vivas e fortes às antigas paisagens cinzentas da relação, transformando antigos cenários áridos e estéreis em novos terrenos cultiváveis e férteis.

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#amor #relacionamento #abandono #fimdoamor #separação #colorista

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